A transição energética redesenhou o mapa do setor elétrico brasileiro. Parques solares e eólicos se multiplicaram pelo interior do país, trazendo uma promessa de energia limpa — e, junto com ela, uma cadeia de prestadores inteiramente nova. A operação e manutenção desses ativos não se parece com a de uma usina hidrelétrica ou de uma rede de distribuição tradicional. É um território com lógica própria, fornecedores especializados e riscos de conformidade ainda pouco mapeados. Entender a geração renovável e a nova cadeia de terceiros em O&M é essencial para que esse crescimento acelerado não venha acompanhado de exposição descontrolada na ponta que executa o serviço em campo.
Parques solares e eólicos têm uma característica que os diferencia de ativos elétricos consolidados: sua cadeia de operação e manutenção é recente e ainda está se estruturando. Não existe, no Brasil, o mesmo histórico de décadas de gestão de prestadores que setores como a distribuição acumularam. Os fornecedores de O&M de turbinas eólicas, de limpeza e manutenção de placas fotovoltaicas, de manutenção de inversores e subestações coletoras são, em muitos casos, empresas especializadas, às vezes ligadas a fabricantes de equipamentos, com práticas próprias e graus variados de maturidade em conformidade.
Essa novidade traz uma armadilha. Como a cadeia é nova, há a tentação de tratá-la com processos improvisados, herdados de outros contextos ou construídos às pressas. Mas a natureza dos riscos é tão exigente quanto a de qualquer ativo elétrico — e em alguns aspectos, mais.
A geração renovável combina riscos clássicos do setor elétrico com particularidades próprias da sua operação. Alguns merecem atenção especial:
Há um viés perigoso na geração renovável: por ser um setor associado à inovação e à sustentabilidade, a gestão de terceiros às vezes recebe menos rigor do que recebe em ativos "tradicionais". A energia é limpa, mas o trabalho de campo continua sendo perigoso. Um técnico subindo em um aerogerador sem treinamento de trabalho em altura válido, ou uma equipe atuando em uma subestação coletora sem capacitação em eletricidade comprovada, representa exatamente o mesmo tipo de risco que existiria em qualquer outro ativo do setor — com o agravante de uma cadeia ainda imatura para detectá-lo.
A vantagem de uma cadeia nova é também a sua maior oportunidade: ela pode ser construída certo desde o começo. Empreendimentos de geração renovável têm a chance de estruturar a gestão de terceiros de forma madura antes que vícios de processo se consolidem. Isso passa por estabelecer, desde a fase de implantação e ao longo de toda a operação, controles claros sobre:
Se essas respostas ainda dependem de controles manuais e dispersos, o empreendimento está carregando, em uma cadeia nova, os mesmos vícios que tanto custam aos setores tradicionais.
A geração renovável vai continuar crescendo, e com ela a cadeia de terceiros em O&M de parques solares e eólicos. O desafio não é frear esse crescimento, mas garantir que ele aconteça sobre uma base sólida de conformidade — em que a empresa enxerga, em tempo real, quem está apto a operar e manter cada ativo, em vez de descobrir as lacunas depois de um acidente ou de uma autuação.
Tratar a conformidade de prestadores como parte da estratégia operacional desde o primeiro dia é o que diferencia os empreendimentos que crescem com solidez dos que acumulam risco oculto. É nesse ponto — em transformar uma cadeia nova em uma cadeia controlada e guiada por dados — que a wehandle apoia o setor de geração renovável.