Por: Adriano Dutra
Nos últimos anos, a gestão de terceiros deixou de ser uma atividade restrita à fiscalização do cumprimento de obrigações contratuais e consolidou-se como um instrumento estratégico, capaz de gerar eficiência, segurança e vantagem competitiva para as empresas.
Como destaca o artigo publicado pela Deloitte, a Lei da Terceirização (Lei nº 13.429/2017) marcou uma nova fase para o setor de terceiros ao incentivar relações mais maduras, transparentes e com maior segurança jurídica entre contratantes e prestadores de serviço.
Com o tempo, o mercado evoluiu e a gestão de terceiros precisou evoluir junto.
O que antes era uma atividade predominantemente operacional passou a demandar visão estratégica, controle de riscos e integração tecnológica.
Esse movimento representa um amadurecimento natural do ecossistema: empresas mais conscientes de suas responsabilidades, prestadores mais estruturados e relações baseadas em dados, transparência e corresponsabilidade.
Hoje, a questão não é apenas “ter fornecedores homologados e monitorar o cumprimento de obrigações legais”, mas sim “como gerir, com inteligência, um ambiente cada vez mais complexo e interdependente”.
É nesse contexto que a automação e a inteligência artificial (IA) ganham protagonismo, não como substitutas da gestão, mas como aliadas que ampliam a eficiência, a precisão e o poder de decisão.
A gestão de terceiros é, por natureza, multifacetada e envolve desde a homologação documental até a análise de performance e o cumprimento de normas trabalhistas, previdenciárias e de saúde e segurança no trabalho.
Mesmo com a evolução das práticas, ainda é comum observar obstáculos que comprometem a eficiência e a governança sobre terceiros. Dentre os mais recorrentes, destaco:
Na prática, o problema normalmente é derivado da falta de integração entre pessoas, processos e dados.
Sem visibilidade e padronização, a gestão tende a ser reativa: resolve problemas, mas não antecipa riscos nem gera valor.
A automação é o primeiro passo para um modelo mais eficiente.
Essa tecnologia reduz tarefas manuais repetitivas, padroniza rotinas críticas e amplia a rastreabilidade das informações, criando uma base sólida para a tomada de decisão.
Com processos automatizados, a equipe ganha tempo para análises e decisões mais ágeis que exigem discernimento humano.
A inteligência artificial, por sua vez, potencializa essa eficiência. Ela reconhece padrões e apoia a validação de documentos, conforme regras definidas pelo contratante.
Com isso, é possível identificar inconsistências de forma mais ágil, antecipar vencimentos, agir de forma ágil e preventiva, e manter a base de dados sempre atualizada. Ou seja, a redução do intervalo de tempo, entre identificação de potencial passivo e a ação corretiva, potencializa a eficácia de uma ação orientativa/preventiva.
Quando aplicadas de forma correta e ética, a automação e a IA amplia a capacidade de ter uma visão global do cenário da terceirização, possibilitando uma gestão mais preditiva e menos burocrática.
Em outras palavras: a tecnologia não decide, mas informa melhor para que decisões sejam tomadas com mais segurança, de forma uniforme e em menor tempo.
A eficiência nasce de um processo bem desenhado, e não apenas da adoção de ferramentas.
Com base na minha experiência à frente de projetos de gestão de terceiros, destaco alguns pilares fundamentais para quem busca amadurecer esse processo com apoio de automação e IA:
Desde a homologação até a avaliação de performance, estabelecendo etapas bem definidas, responsáveis por cada fase e indicadores claros de acompanhamento.
Um fluxo estruturado evita gargalos, reduz riscos e fortalece a governança sobre terceiros.
Unificar dados de contratos, documentos, prazos e resultados garante rastreabilidade e reduz retrabalhos.
Além disso, facilita auditorias e análises em tempo real, tornando o processo mais transparente e previsível.
Criar métricas uniformes para avaliar fornecedores permite comparar desempenhos de forma justa e identificar oportunidades de melhoria contínua. Isso também fortalece a coerência entre áreas e facilita a tomada de decisão.
Ferramentas inteligentes podem cruzar dados, detectar inconsistências e antecipar desvios de conformidade e menor tempo, permitindo maior eficácia na solução preventiva dos problemas..
No entanto, as decisões estratégicas devem permanecer sob responsabilidade humana, com base em contexto e experiência.
A tecnologia é poderosa, mas depende de pessoas preparadas para interpretá-la. Incentivar o desenvolvimento analítico e a leitura crítica dos dados fortalece o uso estratégico da automação e da IA na gestão de terceiros.
No processo da wehandle, tenho acompanhado como, de forma inovadora, a automação e a IA vêm sendo aplicadas com responsabilidade para dar suporte à gestão de terceiros.
Os ganhos são visíveis: mais consistência, transparência e controle, e o mais importante, sem abrir mão da visão humana que torna a gestão realmente estratégica.
A verdadeira gestão de terceiros estratégica nasce da combinação entre método, disciplina e tecnologia aplicada com propósito.
Automação e IA não substituem o papel do gestor, ampliam sua capacidade de agir com inteligência, velocidade e respaldo em dados confiáveis.
O futuro da gestão de terceiros está nesse ponto de equilíbrio: dados que informam, tecnologia que potencializa e pessoas que decidem com consciência e visão de longo prazo.
Empresas que compreendem essa sinergia não apenas administram fornecedores, elas constroem parcerias que geram valor, inovação e resultados sustentáveis.
Para organizações que desejam evoluir seus processos e adotar uma gestão de terceiros mais estratégica, a wehandle é referência em, de forma disruptiva, ter criado uma solução diferenciada para o ecossistema da gestão de terceiros.
Sobre o autor:
Adriano Dutra da Silveira é advogado (PUCRS) e consultor de empresas, especialista em Gestão Empresarial (UNISINOS) e em Psicologia Positiva (PUCRS). É coautor de sete livros sobre o tema, entre eles a 4ª edição de Gestão de Risco da Terceirização (LTr Editora).